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O FUTURO É DOS BIOCOMBUSTÍVEIS

O mundo ainda é um forte consumidor de combustíveis fósseis de fontes não-renováveis.

Num futuro próximo, porém, esse cenário deve se modificar e muito.

Em 2008, foi adotada uma diretiva pelo parlamento europeu cuja proposta estabelece critérios de sustentabilidade que devem ser seguidos pelos 27 países-membros. Após a aprovação final, as diretrizes levarão 18 meses para entrar em vigor. O objetivo é reduzir em 23% as emissões de gases de efeito estufa pela melhoria e incorporação de biocombustíveis em 10%. O prazo final para todo o projeto é 2014.

Estudos mostram que apenas 13% do mundo fazem uso dos combustíveis de fontes renováveis, à exceção do Brasil, onde 46% da frota de carros é abastecida pelo etanol da cana-de-açúcar. Apesar da preocupação com a questão ambiental e social, o mercado nacional está receoso de que o estabelecimento de critérios excessivamente rigorosos desestimule a produção de biocombustíveis.

Durante o 3 dias do encontro, que recebeu cerca de 1500 pessoas entre especialistas, investidores, políticos e usineiros, todas essas preocupações foram discutidas, inclusive a questão da certificação. Em palestra mediada pela assessora internacional da União da Indústria de Cana-de-Açúcar(UNICA), Géraldine Kutas, a diretora da SGS – Rosemary Vianna – procurou demonstrar que a certificação é viável, mas para ser colocada em prática seus requisitos devem ser exaustivamente negociados e consensados entre as partes envolvidas, de forma a garantir sua credibilidade. E foi além, indicando que os parâmetros para a execução da auditoria precisam ser transparentes e objetivos, de forma a assegurar a legitimidade do processo.

O governo já anunciou a elaboração de um protocolo, voluntário, de cunho social e reiterou seu interesse do na expansão do etanol para o exterior e ampliação dos modos de produção do combustível limpo brasileiro. As estimativas do Planalto apontam que, na próxima década, o etanol vai representar 80% da utilização dos combustíveis líquidos no Brasil, com projeções de consumo para 2017, em torno de 64 bilhões de litros.

Ainda assim, em seu discurso durante o evento, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton pontuou que o etanol brasileiro só não tem maior aceitação na comunidade internacional porque o mundo teme que a expansão da produção do combustível renovável possa invadir a região amazônica. Segundo ele, a visão da comunidade internacional é de que se os países se abrirem ao etanol brasileiro, o aumento das exportações incentivarão o país a utilizar mais terras, o que vai empurrar o gado e as plantações de soja para a floresta, elevando o desmatamento.

Mais do que nunca, o biocombustível precisa de um esquema de certificação que o legitime para se consolidar globalmente. É isso que justifica as preocupações e o cuidado da diretora da SGS na discussão de um protocolo padrão: “queremos que o processo de certificação do etanol não resulte em um equilíbrio negativo em perda de biodiversidade, erosão e degradação, desequilíbrio sócio-econômico ou conflito pela posse da terra”, completa Rosemary Vianna.
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